Pesquisadores chineses encontraram o fóssil de 419 milhões de anos impecavelmente preservado.

Fóssil com estrutura óssea, com aproximadamente 419 milhões de anos.

Fóssil com 419 milhões de idade faz cientistas repensarem como vertebrados com mandíbula adquiriram essas características (Foto: Brian Choo/Nature)
Uma equipe científica internacional descobriu na China um peixe fossilizado com 419 milhões de anos, que pode ser a mais antiga criatura conhecida a ter um rosto distinguível, possivelmente representando um elo perdido no desenvolvimento dos vertebrados. A descoberta aconteceu na represa de Xiaoxiang e foi noticiada nesta quinta-feira (27) pela revista "Nature". É o mais primitivo vertebrado já descoberto a ter uma mandíbula moderna, incluindo o osso da arcada dentária encontrado em humanos.
Fóssil com estrutura óssea, com aproximadamente 419 milhões de anos.
"Isso finalmente resolve o antigo problema sobre a origem dos peixes modernos", disse John Long, professor de paleontologia na Universidade Flinders, na Austrália. O animal, batizado de Entelognathus primordialis, tem uma forte carapaça e pertence à extinta família dos placodermos, com um crânio complexo e pequeno, e ossos na mandíbula.
A descoberta parece desautorizar teorias anteriores de que os vertebrados modernos com esqueletos ósseos, da classe dos osteichthyes, haviam evoluído a partir de criaturas semelhantes ao tubarão, com esqueleto cartilaginoso.
Fóssil com 419 milhões de idade faz cientistas repensarem como vertebrados com mandíbula adquiriram essas características (Foto: Brian Choo/Nature)
Até agora, os especialistas acreditavam que os grupos não estavam relacionados e que os placodermos haviam simplesmente desaparecido da Terra, por isso, o achado em questão acaba sendo tão importante para a ciência.
“Se você olhar apenas a parte superior do crânio e do corpo, ele se parece com umplacodermo. Mas quando você olha a lateral, e a frente, você percebe que ele tem mandíbulas que, osso por osso, se assemelham às mandíbulas dos peixes ósseos atuais”, defende Matt Friedman, paleontologista da Universidade de Oxford. No entanto, os cientistas ainda não têm mais detalhes sobre a evolução destas espécies, mas estão trabalhando para encontrar novas respostas.
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